domingo, 19 de junho de 2011

Sobre a Campanha de conscientização ambiental no 2 de Fevereiro (Nzinga)





Mestre Poloca, instrutor de capoeira do Instituto Nzinga, comenta sobre a campanha de conscientização ambiental feita pelo grupo, com o slogan "Iemanjá protege a quem protege o mar”

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Afro Samba

Os Afrosambas de Baden Powell e Vinicius de Morais foram a primeira escola musical importante a surgir depois da bossa nova: em oposição ao minimalismo e sofisticação de Copacabana, um mergulho no universo afrobrasileiro do candomblé na Bahia.


Indicação de Filme: Jardim das folhas Sagradas




Jardim das Folhas Sagradas narra uma história envolvente, capaz de atrair e prender a atenção do público, pela riqueza da linguagem e da trama, construídas com elementos de humor, suspense, aventura, intriga política, romance, lenda, magia, mistério e drama. Propõe, por outro lado, a reflexão crítica sobre a história e o presente da cidade do Salvador.

Em diversas dimensões da sociedade local, o candomblé responde por considerável parcela do amálgama cultural da capital baiana. Sendo a Bahia o lugar onde a diáspora africana manteve mais acesas as práticas religiosas originais, a abordagem da vida da cidade do ponto de vista do povo-de-santo é, assim, repleta de significados e de importância.

O fio que tece a trama é o enfrentamento entre o candomblé - tradicional religião afro-brasileira ritualmente vinculada à natureza - e a expansão imobiliária, um dos fenômenos decorrentes do crescimento e da modernização de Salvador. A dimensão ecológica do candomblé se revela na necessidade de espaço e ambientes naturais adequados para sua liturgia. Historicamente, os terreiros dispunham deste estoque de natureza, ocupando os arrabaldes da cidade, áreas isoladas alcançadas depois pela expansão urbana. A escassez desses elementos desafia, hoje, a criatividade dos terreiros de Salvador. Kosí euê kosí orixá (“sem folha não há orixá”), ecoa o provérbio iorubá, enfatizando o efeito deletério da redução de espaços verdes e da degradação de reservas naturais.

A intensificação da ocupação do solo urbano de Salvador alterou profundamente a dinâmica dos terreiros e de suas comunidades, impondo-lhes crescentes restrições espaciais, em situações que obrigam a adaptações e diferentes saídas: a luta para consolidar posições e territórios, a transferência para áreas mais periféricas ou a mera extinção. Tal contexto delineia o cenário em que o ex-bancário Bonfim - filho de uma yalorixá e de um jornalista de esquerda - persegue o objetivo de criar o “Jardim das Folhas Sagradas”. Neste intento, experimentará o sabor do amor e do desprezo, da amizade e da traição, compartilhando, com o espectador, o aprendizado do uso da força e da sabedoria ancestral do candomblé para a superação dos obstáculos construídos pelas contradições e conflitos da modernidade.

Ossain - O Deus das Ervas



Ossaniyn ou Ossain (como se escreve habitualmente) é o deus das ervas. Comanda as folhas, as medicinais, as litúrgicas, é o mestre do mato. Sem ele nenhuma cerimônia é possível. Usa pilão, veste verde, sua ferramenta tem sete pontas, uma das quais no centro com um pássaro no alto. Bode e galo são suas comidas prediletas; sua saudação: Ewê ô! muitas vêzes é representado com uma única perna. Trata-se de um dos Orixás mais importantes.

Lenda de Ossain:

(Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi Verger e Carybé - Editora Currupio)

OSSAIN, O SENHOR DAS FOLHAS

Ossain recebera de Olodumaré o segredo das folhas.

Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor.

Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidente.

Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta.

Eles dependiam de Ossain para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.

Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso, irritado por esta desvantagem, usou de um ardil para tentar usurpar a Ossain a propriedade das folhas.

Falou dos planos à sua esposa Iansã, a senhora dos ventos.

Explicou-lhe que, em certos dias, Ossain pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas.

"Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias", disse-lhe Xangô.

Iansã aceitou a missão com muito gosto.

O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada.

A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram.

Os orixás se apoderaram de todas.

Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Ossain permaneceu senhor do segredo de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação.

E, assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto.

Graças ao poder (axé) que possui sobre elas.


Os Orixás da natureza

Os Orixás Cultuados no Brasil são cerca de vinte. Segundo os ensinamentos do candomblé é responsável por uma porção do mundo, zelando por uma parte específica da natureza e controlando os aspectos do ser humano e das relações socias. Assim, um certo orixá cuida do raio, outro da chuva, outros do mar, das colheitas, do comércio, das relações amorosas do equilíbrio emocional da justiça etc. Vamos nos focar na apresentação dos orixás representantes da natureza, eles são:

Oxóssi:
Oxóssi é o caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso. Saúda-se Oxóssi com o grito "OQUÊ ARÔ", suas oferendas são animais de caça, cabrito e pratos preparados com milho e coco.






Iroco:
Deus das velhas arvores no brasil é identificado com a Gameleira Branca. Seu culto esta restrito a poucos templos de candomblé e são raros seus filhos espirituais. Iroco é saudado pela expressão "IROCO ÉSSO". Suas oferendas são Cabrito, galo, inhame, quiabo frito e pipoca.







Nanã :
Deusa da terra, da lama do fundo dos lagos, dos pântanos. Guardiã da sabedoria, é a mais velha divindade do panteão afro-brasileiro. sua oferenda é carne de cabra e mingau de farinha de mandioca. Seu simbolo é o Ibiri, um cetro feito com fibras vegetais com o formato da letra J. Ela é saudada com a palavra Saluba.







Oxumaré:
Deus do arco-iris, também representado como Deus-serpente. Quando dança move-se como uma cobra, e é com uma cobra de latão que os representam. Dizem muitos que oxumaré é androgeno. suas oferendas são cabrito e cabra além de batata-doce. ARRUMBOBOI é sua saudação.






Obá:
Deusa dos rios, protetora do lar, transforma-se em guerreira quando necessário tendo como simbolo a espada e o escudo. Obá recebe oferendas de galinhas e cabras. Obáixi é sua saudação.








Iansã:
Deusa dos raios dos ventos e das tempestades. É exposa de xangô que o acompanha na guerra. É simbolizada pelo espanta-mosca que afasta os espiritos dos mortos. Sua saudação é Oraiêêô.








Oxum: Deusa da água doce e do ouro, da fertilidade e do amor. Senhora da vaidade, o simbolo de Oxum é um espelho é forma de leque o Abébé. Sua saudação é o oraiêiê.

O início da religião no Brasil





O candomblé formou-se no Brasil no século passado como religião de preservação de patrimônio étnico dos escravos negros e seus descendentes. Dele originou-se mais tarde a umbanda, religião sem fronteiras raciais. Nos anos 60 deste século, o candomblé passou a crescer intensamente nas capitais do Sudeste, mas agora também como religião que rompe com os limites étnicos e de cor.Tudo indica que a organização das religiões negras no Brasil deu-se bastante recentemente. Uma vez que as últimas levas de africanos trazidos para o Novo Mundo durante o período final da escravidão (últimas décadas do século XIX) foram fixadas sobretudo nas cidades e em ocupações urbanas, os africanos deste período puderam viver no Brasil em maior contato uns com os outros, física e socialmente, com maior

mobilidade e, de certo modo, liberdade de movimentos, num processo de interação que não conheceram antes. Este fato propiciou condições sociais favoráveis para a sobrevivência de algumas religiões africanas, com a formação de grupos de culto organizados.




A invenção do Candomblé

No começo não havia separação entre

o Orum, o Céu dos orixás,

e o Aiê, a Terra dos humanos.

Homens e divindades iam e vinham,

coabitando e dividindo vidas e aventuras.

Conta-se que, quando o Orum fazia limite com o Aiê,

um ser humano tocou o Orum com as mãos sujas.

O céu imaculado do Orixá fora conspurcado.

O branco imaculado de Obatalá se perdera.

Oxalá foi reclamar a Olorum.

Olorum, Senhor do Céu, Deus Supremo,

irado com a sujeira, o desperdício e a displicência dos mortais,

soprou enfurecido seu sopro divino

e separou para sempre o Céu da Terra.

Assim, o Orum separou-se do mundo dos homens

e nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de lá com vida.

E os orixás também não podiam vir à Terra com seus corpos.

Agora havia o mundo dos homens e o dos orixás, separados.

Isoladas dos humanos habitantes do Aiê, as divindades entristeceram.

Os orixás tinham saudades de suas peripécias entre os humanos

e andavam tristes e amuados.

Foram queixar-se com Olodumare, que acabou consentindo

que os orixás pudessem vez por outra retornar à Terra.

Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos.

Foi a condição imposta por Olodumare

Oxum, que antes gostava de vir à Terra brincar com as mulheres,

dividindo com elas sua formosura e vaidade,

ensinando-lhes feitiços de adorável sedução e irresistível encanto,

recebeu de Olorum um novo encargo:

preparar os mortais para receberem em seus corpos os orixás.

Oxum fez oferendas a Exu para propiciar sua delicada missão.

De seu sucesso dependia a alegria dos seus irmãos e amigos orixás.

Veio ao Aiê e juntou as mulheres à sua volta,

banhou seus corpos com ervas preciosas,

cortou seus cabelos, raspou suas cabeças,

pintou seus corpos.

Pintou suas cabeças com pintinhas brancas,

como as pintas das penas da conquém,

como as penas da galinha-d’angola.

Vestiu-as com belíssimos panos e fartos laços,

enfeitou-as com jóias e coroas.

O ori, a cabeça, ela adornou ainda com a pena ecodidé,

pluma vermelha, rara e misteriosa do papagaio-da-costa.

Nas mãos as fez levar abebés, espadas, cetros,

e nos pulsos, dúzias de dourados indés.

O colo cobriu com voltas e voltas de coloridas contas

e múltiplas fieiras de búzios, cerâmicas e corais.

Na cabeça pôs um cone feito de manteiga de ori,

finas ervas e obi mascado,

com todo condimento de que gostam os orixás.

Esse oxo atrairia o orixá ao ori da iniciada e

o orixá não tinha como se enganar em seu retorno ao Aiê.

Finalmente as pequenas esposas estavam feitas,

estavam prontas, e estavam odara.

As iaôs eram a noivas mais bonitas

que a vaidade de Oxum conseguia imaginar.

Estavam prontas para os deuses.

Os orixás agora tinham seus cavalos,

podiam retornar com segurança ao Aiê,

podiam cavalgar o corpo das devotas.

Os humanos faziam oferendas aos orixás,

convidando-os à Terra, aos corpos das iaôs.

Então os orixás vinham e tomavam seus cavalos.

E, enquanto os homens tocavam seus tambores,

vibrando os batás e agogôs, soando os xequerês e adjás,

enquanto os homens cantavam e davam vivas e aplaudiam,

convidando todos os humanos iniciados para a roda do xirê,

os orixás dançavam e dançavam e dançavam.

Os orixás podiam de novo conviver com os mortais.

Os orixás estavam felizes.

Na roda das feitas, no corpo das iaôs,

eles dançavam e dançavam e dançavam.

Estava inventado o candomblé.


Trecho retirado do livro Mitologia dos Orixás (524-528) de Reginaldo Prandi.